sábado, 31 de julho de 2010

Diálogo



- Nunes, ainda ama?

- Não sei se é amor
Mas é persistência
Talvez obsessão
Esperança
(risos)
Pode ser que seja loucura
Ou simplesmente vontade de escutar uma voz única antes de dormir
Ou sentir um cheiro passar a frente do meu leito
Quem sabe desejo de um beijo na nuca como ninguém antes dera.

- É amor...

- amor se faz junto
Não se ama sozinho
O que se faz sozinho é outra coisa
Deve receber outro nome
Em mim não sei explicar
Minha ignorância apenas permite dizer isso,
Que estou perdido, pois não sei andar sem aquelas mãos.

- bonito, Tiago, ai se pudéssemos ter o que desejamos agora...

- não posso.
Talvez nem queira mesmo.
Ta bom, pode ser que queira mais que tudo, mas o “não me ligue nunca mais” está me forçando a afirmar que não quero.

- então, agora mesmo que não vais esperar, certo?

(risos)
- não é algo que se espere...
Tenho medo!
Existe alguém que possa estar comigo agora,
Porém, tenho medo.
Ando conversando sozinho, algo como um ensaio
Sabe quando se fala com alguém sem que essa pessoa esteja de fato te respondendo ou escutando?

- uma prece?

- uma oração... isso...
Mas isso não se faz a homem nenhum, somente a Deus... Orações têm suas referencias, seus ouvidos... isso que faço só tem a mim... É loucura.

- e o que pretendes fazer?
- não tenho muito o que fazer. Preciso continuar àquilo que pensei. Tomei umas escolhas, uma delas já esta fora do que posso resolver, a vida continua e tenho muito a fazer pela minha. Viver, independente de qualquer coisa.
Nunca perdemos o tempo que passou, perdemos o que esta por vir. Se não aproveitar o que me resta, não posso ser digno da alegria do que me passou.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Rosa

Rosa, ontem eu gritei com você
Depois me calei e nem percebeste que estava chorando.
Não temos muito tempo pra se falar e talvez nem nos achemos com muito assunto
Mas eu sempre te olho sentada no sofá quando chego
Sei que me esperas e a novela é uma grande desculpa.

Rosa, nem sei onde estão teus espinhos
Você é minha linda flor que está sempre ao lado da minha cama
Vigiando se dormi.

Rosa, eu acho que você não sabe, mas ontem eu chorei
Me perguntaste se estava com frio nessa manhã, mas eu só estava tremendo
Eu senti vergonha de te olhar por uns dias
Mas hoje eu precisava muito deitar com você
E você ainda me aceita no seu colchão

Rosa, não precisa se preocupar, ainda serei o teu menino
Aquele que te abraça sempre quando tem um espacinho na tua cama
As vezes não cabe, rosa, eu sei, mas hoje até que a gente deu um jeito

Esperei você levantar e acender a luz, não quero que me vejas chorando
Me envergonho de falar de outro amor pra você

Rosa, eu sei que você me conhece, sei que o que mais te dá medo é eu fazer o que quero
Mas, Rosa, a vida é tão difícil, eu só não quero fugir disso
Deixa eu ir, Rosa, eu vou chorar quando te ver chorando
Você sempre chora
Eu sempre choro
Mas, Rosa, eu só nunca vou deixar de querer teu calor e passar o friozinho do teu lado

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Dois dias depois da eternidade

O computador ainda estava no chão,
O fone na cama.
A dor na cabeça – por uma noite que não dormi.
A chuva ainda faz frio
Ainda existe um gosto ruim na garganta
A idéia de superar é forte, como a vontade de te querer
Realmente acabou

Tudo correu como uma realidade
Existem 7 comprimidos idiotas e sem função
Existe um vazio infindável e muito, muito frio
O que farei se ainda estas em todos os lugares?
Sei que vou te sentir, então te chamarei de saudade

Agora somos dois e amanhã farão 3 dias do novo tempo
A humanidade nos matou e o que sobrou de nossos corações foi enterrado
O “pra sempre” será uma história desunida pela casualidade
Vou esperar ele ficar sem ar sob a terra.
Aí, sim, tentar resgatar sua carne e trazê-lo de volta ao peito

Essas batidas ainda doem,
Mas um dia ainda direi que não te amo mais,
Mesmo que para isso ainda viva uma eternidade sozinho
Sem sonhos ou um rumo correto
Mesmo que não tenha casas brancas e futuros que me fazem sorrir
Mesmo que nem precise chorar e ainda viva sem expressão por mais uma geração.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Recado

Quem me dera ser amor sem essa vergonha
Quem me dera ser sem limites do seu medo
Quem me dera amor ser seu amor autentico
Quem me dera não ser apenas um forte desejo

Meu amor, hoje te escutei e você me disse coisas sem sentido
Então que sentido me fez ficar se não o de um paladar amargo e seco?
Sou eu agora um andarilho sem futuro
Sem coisas de vida, sou apenas um segredo.

A minha frente se expôs a alucinação
Se expôs teu nudismo e teu sexo
Agora vejo teu suor e tua mão
E ainda enxergo o teu rosto satisfeito
Minha ilusão aperta meu tronco
E a respiração se torna fraca pela oportunidade
De não ser mais a única coisa
Que te faça realidade.

Você foi minha razão sem medo
Minha entrega e meu pecado
Agora me inspira, e realiza
A concretização do meu pior recado!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Caminho


Acabei de fechar os olhos e te encontrar
Estávamos deitados na tua sala
Com o teu cheiro mais marcante que nunca
Permanecia de olhos fechados
Eu e meus dedos no teu cabelo
Éramos um delírio, uma ilusão

Eu estava deitado e te abraçando com meus braços
Sem recados
Carne
Você perfeitamente imóvel
Se contorcia na respiração pesada de um dia cansativo
Era meu ultimo dia
Era na verdade a ultima noite
Tu sonhavas o que eu não podia enxergar
Eu pensava em uma estrada
Em um caminho

Estávamos sob uma cegueira
Tudo era toque
E dos cabelos me pus no teu corpo
Poderia ser uma ultima lagrima
Era minha ultima hora
Tu ainda imóvel, me parecia responder com angelical dor
um sorriso marcado nos dedos que percebi
Era um ultimo beijo

Era o ultimo instante
Saltara então de uma madrugada em claro
Uns raios de sol sobre teu rosto
Eu pude olhar mais uma vez
E antes que o sol estivesse tocando minha cabeça
Olhei para trás e te vi
Era o teu meu ultimo olhar
Meus pés teimosos ao que realmente queria seguiram uma rua que pouco conhecia
Foi o ultimo suspiro na tua presença
O ultimo ar
O nosso ultimo beijo.

domingo, 7 de março de 2010

...

E te falar é tão real
E te ter é tão bom
Queria saber explicar com quantas felicidades se faz meu sorriso quando é dedicado a ti!

E ouvir teu sussurro é maravilhoso
É como se esquecer de um segredo que vive dentro de mim
Mas que mora no mundo
É como te carregar sempre
E sempre saber que tu existes pelo sempre
Para esse mundo imperfeito que te distrai pra longe de mim
Mas que não te faz menor pela distância

Tenho-te porque tu me permites a existência da tua voz
Tens-me porque te autorizo a minha escravidão
Pelo nosso amor.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Toque



Naquela noite nem sei exato o que fui fazer naquele lugar. Só lembro que dividias as atenções, não sei se de todos, mas a minha, com certeza. A intenção era apenas torna-me cúmplice de mais alguém, te alertei sobre o que eu realmente era, mas continuaste a falar e me deixou observar como tuas palavras me faziam bem. Não sou tão bom de memória assim, só lembro que em uma noite me acompanhaste os olhos cansados que eu possuía, vigiaste com suavidade meu sono, foi quando notei que tua presença se tornara necessidade.  Foi a primeira vez que te amei!


Passaram-se uns dias sem que eu pudesse te ver. Eu até me envolvi com outras coisas no pensamento, mas lembrei no regresso que havias me prometido a permissão de te olhar. Corri ao teu encontro e analisei teu corpo como um escultor analisa os detalhes da sua arte. De maneira nenhuma pensei que poderia te possuir, quis então ter coragem de em todas as noites buscar abrigo na tua presença. Tua voz me fez permanecer acordado, vivo. Tornou-se difícil partir de lá. Passei então a pular janelas e muros, dormia a hora que tinha que acordar, cantava na hora que tinha que calar. Lembras quando subimos naquele palco e cantamos juntos? Aquela voz desafinada que jamais posso esquecer. Me fizeste sorrir, por as mãos no rosto e sorrir. Foi quando te amei pela segunda vez!

Minha vida era dependente do lugar, do momento, das horas que podia te ver. As noites passavam-se todas, a esperança de te ter mais ainda crescia. Eu sempre envolvido com meus amores, confundia membros e rostos, me iludi como um bobo, o mundo sempre deu jeito de fazer isso por mim. Contei e cantei amores, contei e chorei o que eles me retribuíam, e tu passaste a acompanhar essas coisas, não que eu as contasse sempre, mas agora tu também tinhas parte dessas razões. Veio o primeiro desentendimento. Como pode, querermos entender que quando estivéssemos um para o outro, sem impedimento de tempo e lugar estaríamos separados por desejos tão simples de serem esquecidos? Perdoe-me se me impus de mais, mas precisei lutar por ti pela primeira vez – não contemos as janelas e muros que pulei como lutas – falei firmemente que ninguém nos atrapalharia, sozinhos, dois amantes sem o resto do mundo! Olhei para o céu depois disso. Foi quando te amei pela terceira vez!

Corri com a esperança de te ter só pra mim. Tive que passar frio por umas horas e nessa hora eu tava tão perto de ti. Infelizmente nem pudeste me acompanhar e fazer-se calor pra minha necessidade. Gritei teu nome, pensei teu rosto, mas nem tua sobra me acompanhava. Compreendi, já tinha todas as explicações para aquilo. Calei-me, sentei e deixei o frio passar sob o abrigo dos meus braços. Finalmente chegara ao destino que almejei para te tocar, aguardei as horas, os minutos, os dias. Havia o medo do desencontro, mas a garantia da minha felicidade me acalmava...

...

Não fazia 10 minutos, mas a eternidade se estendia em cada passo que traçava minha fronte, até que de longe reconheci teu sorriso brilhante, o ar me faltou o nariz, eu sorria sem ter como pular- calma - eu pensava, nosso momento ainda não era aquele. Te dei então meus braços e me vi em um abraço efêmero que marcou minha alma. Sempre muito falante, esqueci a timidez e acabei soltando em público o que mais queria repartir em voz por dois meses: “eu te adoro”. Eu ouvi um riso meio desconsertado, tímido que junto sussurrava a resposta positiva para qualquer indagação que a afirmação anterior pudesse querer. Passei essa noite inteira buscando nos teus olhos as estrelas que uma canção falava ter. No palco o espetáculo nem se fazia notar por meus olhos, fomos igualmente protagonistas daquele show, catamos juntos, lembra? Tu tens a voz desafinada mais linda do mundo – não consigo largar essa mania de reparar em vozes. Eu aí te amei pela quarta vez.

Se pudesse prolongar aquela noite, faria dela única. Mas nem foi isso o que me fez mais feliz.
Quando a multidão empurrou nossos corpos para um mesmo lugar tive que resistir ao beijo e provar do instante de segurar firme tua mão. Ainda estávamos sob a guarda de olhares proibidos.

Caminhamos até o teatro que poderia abrigar a nossa cena intima. Te olhei meio sem jeito, como se quisesse repetir que estávamos sós, tu ficavas ali, como uma estátua, imóvel. O atrevimento me inspirou a um toque irreal e desejável. Estava preso nos teus braços e extasiado pelo contorno dos teus lábios que me prendiam. Não quis fugir, jamais fugiria, estava perfeito. Tua boca, teu perfume, tua força, teu suor, a primeira vez, o primeiro carinho, o primeiro impulso. O primeiro pra sempre. A primeira lagrima dividida pela felicidade entre nós.